quinta-feira, 7 de abril de 2011

AUGUSTO BÍGLIA - Drácula!


Somente há poucos dias soube do falecimento do ator Gaúcho AUGUSTO BÍGLIA, o eterno Drácula de Viamão.Folclórico, apaixonado pela sua forma de ver e fazer arte. O conheci em uma indiada teatral (Não teria lugar melhor pra conhecer essa figura), uma montagem amadora da Paixão de Cristo na Igreja das Dores, no ano de 1996.
Atores em início de carreira (Meu antagonista era nada mais nada menos que o jovem Marcelo Adams! kkkk) e veteranos como Bíglia: José Azambuja, David Camargo, Estela Sassem e membros da comunidade da igreja.
O objetivo, era honesto e sincero, gente ali a fim de fazer, apesar do amadorismo e falta de estrutura, foi dado o recado que se queria (e se podia)dar nas duas noites de apresentações no salão paroquial lotado!
Eu interpretava Jesus (Cruzes!) com uma peruca medonha me imposta pelo Diretor e na cena primeira (Tentação do Deserto) eu encarava o Diabo e o Diabo era o Drácula , era AUGUSTO BÍGLIA. Com o mesmo figurino,maquiagem,adereço que fizeram sua dentidade de vampiro. Lembro como eu ria o tempo todo e me divertia!
Lembro da cena, de ter vontade de rir daquele vampiro e quando ouvia minha pequena filha Juliana falar da platéia: "Mãe, olha o Papai de Peruca!".
Fomos a TVE no programa Radar fazer uma cena da peça , eu e o Bíglia e lembro que arrancávamos risadas dos técnicos e demais pessoas presentes . Eu com minha ridícula peruca , o mais canastrão possível e o vampiro me atazanando.
Eu me divertia e os únicos que levavam muito a sério aquilo era o Diretor Jose Azambuja, por ser católico e o Bíglia por amar seu personagem.
Tomando um cafezinho com Bíglia, eu compartilhei com ele que achava muita graça do seu Drácula e que ele devia fazer comédia . Tomei um esporro dele! Ele levava muito a sério o personagem e disse que não via graça nenhuma e que odiava comédia.
Me calei, respeitei e não toquei mais no assunto.
Passados 11 anos, entrei em contato com David Camargo (Em breve falo sobre ele aqui) pois estava montando LA HERANZA e esquecendo o esporro, queria convidar Bíglia e o seu vampiro para fazer uma participação especial no meu besteirol.
Para minha surpresa, o querido aceitou , entendeu a proposta e ensaiou conosco .
Ele nos matou de tanto rir e dessa vez parecia não levar mais tão a sério seu Drácula.
Divulguei na imprensa sua presença, iria pagar um cachê fixo para ele. Mas na semana da estréia ele sumiu, David me disse que ele estava adoentado , conversamos algumas vezes por telefone ainda, mas depois, o contato se perdeu.
Querido Bíglia, fica aqui minha homenagem e o meu respeito pela tua arte e a tua história:
Augusto Biglia, mais conhecido como o Drácula de Viamão, nasceu em Porto Alegre em 28 de agosto de 1923, mas viveu em Viamão por mais de quatro décadas. Foi pioneiro e apaixonado pela arte de interpretar. Precursor do teatro em Viamão e grande defensor da cultura. Ator, produtor, poeta e roteirista do cinema e teatro.
→ Autodidata por natureza, durante grande parte da sua vida também estudou e ministrou muitos cursos de teatro. Ator com longa trajetória no teatro viajou pelo país inteiro trabalhando com atores como Walmor Chagas e Eva Todor.
→ Drácula, personagem que encenou por mais de 30 anos, era o mais conhecido e preferido pelo ator. Biglia gostava de fazer adaptações do personagem utilizando o lado poético e romântico. A maneira de representar o famoso vampiro seguia sempre um formato criativo e de baixo custo.
→ Em Viamão, lutou muito para a criação de um teatro na Casa da Cidadania, que hoje não existe mais. Na década de 60 montou e manteve por vários anos um pequeno cinema na Vila Elza. Em 1973, produziu o primeiro filme do município – Bandoleiro – que hoje faz parte do acervo do Museu José Hipólito da Costa.
→ Em 2003, recebeu o Título de Cidadão Viamonense.
→ Em 2005, produziu e atuou ao lado de David Canabarro no filme Drácula e a Alma de Guapa, que mostra o inusitado encontro do Conde Drácula com gaudérios de bombacha. O longa, gravado VHS, fez parte da Mostra Raros na Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro.
→ Biglia faleceu em 5 de abril de 2009, aos 85 anos, vítima de infecção generalizada. Deixou uma filha, três netos e um bisneto.

2 comentários:

  1. Pois é, uma trajetória sadia tem dessas aventuras, não é, Pretto? Aquela Paixão de Cristo da Igreja das Dores foi um momento delicioso para mim, por poder dividir o palco com dois ícones trash do teatro gaúcho: David Camargo e Augusto Biglia. O David e seu eterno "Consciência parda"; o Biglia e seu pavoroso/impagável "Drácula". Cheguei a assistir uma apresentação do Biglia no Teatro de Arena, há muitos anos, e era impressionante a falta de técnica e de bom senso teatral. Tudo era ruim, e a canastrice fazia rir. Concordo contigo, ele deveria ter enveredado para o lado do humor (algo como um Leslie Nielsen gaúcho), e teria muito mais sucesso. Mas era um homem de coração generoso: o que lhe faltava de domínio da técnica, sobrava em amor pelo teatro e generosidade. Momento inesquecível: o vampiro de 1,50m, com peruca e capa de fantasia infantil mordendo vorazmente os pescoços de jovens pretendentes a atrizes, oriundas dos cursos de Viamão, sucedendo longos monólogos onde enveredava por questão filosóficas, teológicas, moralistas. Uma combinação tão esdrúxula que me fazia arregalar os olhos: como é possível? Biglia deixou sua marca, e tomara que não seja esquecido.

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  2. Pois é Marcelo! Se eu fosse contar todas as indiadas e histórias desse "doce vampiro" seriam posts e mais posts.
    Mas contarei só mais umazinha agora: A última vez que o vi, eu tinha conseguido uma consulta com oftalmo para ele (Me parece que o Sated iria lhe fornecer o óculos). Ao ver sua identidade, minha gargalhada (uma das mil que dei ao seu lado)Na foto: Ele de vampiro, peruca, batom e tudo! Assim como vc me perguntei tbm: Como é possível? É Bíglia! è o nosso eterno Drácula trash Guapo! kkkk!

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