sexta-feira, 1 de abril de 2011

Crítica da Estréia - Woody



Contando as histórias dos posts CIA ARTIURBANA - REPERTÓRIO -Encontrei a crítica da estréia da peça Woody e as Mulheres neuróticas e compartilho com vcs leitores do meu blog.

Crítica do Site:
www.artistasgauchos.com.br


Teatro
Play it again, Pretto!

Isabel Bonorino

Depois de Deus ou Nada, leitura da peça Deus, de Woody Allen, pelo Instituto de Artes da UFRGS, foi a vez da Cia Artiurbana fazer a releitura de outra obra do diretor americano.

Apesar do título escancarado que recebeu, Woody e as mulheres neuróticas, a adaptação da peça Play it again, Sam* –`Sonhos de um sedutor`, não poderia ter sido, literalmente, mais feliz, considerando-se que o público já pode ter referências da mesma, devido ao filme e livro de mesmo nome, e compará-la ao original, ou não.

O texto escolhido pelo diretor Luis Carlos Pretto foi ensaiado por dois meses e teve estréia na Sociedade Hebraica na segunda semana do Porto Verão Alegre de 2008. `Play it again, Sam`, poderia dar nome à leitura gaúcha do texto do genial WA, pois a trilha do clássico Casablanca "As time goes by", também utilizada no filme de mesmo nome, dirigido por Herbert Ross, marca a história das personagens.

A principal é Allan Felix, crítico de cinema, que após o divórcio vive às voltas com mulheres do universo `alleniano`, neuróticas e confusas. Allan conta com o apoio do casal Dick e Linda para retomar sua vida amorosa e se depara com ninfomaníacas, religiosas, alcoólatras e feministas.

Assim começa a montagem de Pretto, que não seguiu à risca o roteiro, incluindo não apenas os perfis femininos existentes no texto original, tendo influência de outros filmes do mesmo diretor de Annie Haal (Noivo Neurótico Noiva Nervosa – Oscar de melhor roteiro e diretor em 1978). Além disso, o fator local, a substituição e colocação de temas do nosso cotidiano no lugar do cenário americano, levou o público às gargalhadas como, por exemplo, na referência ao filme Tropa de Elite e também em referências que fez à locais de Porto Alegre, como a ponte do Guaíba e Alvorada, entre tantas outras.
Igualmente como Allen, Pretto escreveu e atuou na peça, e a direção seguiu um caminho próprio, explorando a veia cômica das outras personagens. Se no filme, Humphfrey Bogart aparece em momentos cruciais para aconselhar Allan, na peça de Pretto também; porém, é um Bogart diferente do que encarnou em Casablanca e em Play it again, Sam. Essa talvez tenha sido a sacada de Pretto, o debochado Bogart, papel de Rafael Régoli, roubou a cena cada vez que aparecia para dar os conselhos mais estapafúrdios, como quando conta ao tímido Allan seu segredo com as mulheres: `Não tem segredo, garoto. Mulheres são tolas, mas nunca encontrei uma que não entendesse um tapa na cara ou uma coronhada de uma quarenta e cinco`.
Se a simplicidade do cenário, a sala de Allan com alguns filmes e livros espalhados pelo palco, não chegou a comprometer, a produção pecou em não investir na simples troca de figurino, que enriqueceria o espetáculo. Também Linda, namorada de Dick, papel relevante no roteiro original, pareceu ter uma leitura e interpretação equivocada em sua versão gaúcha, perdendo a importância na trama.
No entanto, a peça seguiu no mesmo ritmo do começo ao fim, o que garantiu ao público que foi conferir na Hebraica uma hora de bom entretenimento. Aliás, teria sido acaso a escolha do local? Afinal, Allen é judeu e seus personagens muitas vezes também são. De qualquer forma, vale a pena conferir. Mas agora só no inverno. Play it again, Pretto!

* Play it again, Sam estreou em 12 fevereiro de 1969, no Teatro Broadhurst, em Nova York.

22/01/2008

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