quarta-feira, 14 de março de 2012

INIMIGOS DE CLASSE

Há menos de um mês iniciou-se o ano letivo nas escolas estaduais (Agora paralisadas por 3 dias), tenho acompanhado meus dois filhos que estão respectivamente na 2ª  e 6ª série na mesma escola que eu estudei.
Estou apavorado com o que tenho visto no colégio Dr. Oscar Tollens, a qualidade do ensino, da estrutura física e da conduta dos alunos está em frequente decadência.
Não há respeito com os professores, não há segurança, não há funcionários. Vejo tudo ali: Uma arena de gladiadores, um estábulo, um matadouro, tudo, menos sinal de um lugar onde vamos educar e formar uma geração de adultos mais informados, politizados e preparados.
(Isentando é claro os esforços de quem tenta trabalhar e manter a ordem ali)
Ao assistir INIMIGOS DE CLASSE, novo espetáculo de Luciano Alabarse, vi perfeitamente representado ali a Escola, os alunos, os professores, os pais que tenho observado diariamente.
No palco, no cenário vejo aquela sala de aula, um depósito de coisas quebradas, pichadas, e de jovens cuja essa manifestação é a projeção de seres que por dentro estão quebrados, rabiscados, maltrapilhos, e ali parecem materiais abandonados nesse depósito por algumas horas.
O espetáculo além de me brindar com seu inegável conjunto de profissionais de alto gabarito , serviu para que eu me sensibilizasse, aprendesse a não julgar os alunos "arruaceiros", sem saber o que se passa com eles, suas histórias, suas motivações, suas dores.
Cada ator tem seu momento individual, sua "canção solo" e justificam a sua escolha para protagonizar um espetáculo tão intenso. Pela segunda vez vejo Marcelo Adams interpretando um personagem da sua faixa etária para baixo, (A outra foi no filme A ÚLTIMA ESTRADA DA PRAIA) e não aqueles "senhores" que ele já deu vida com muita competência. Sua energia e aparência jovem contribuem para que sua carreira continue repleta de possibilidades.
Outra coisa muito positiva: A inclusão social em uma apresentação especial para deficientes visuais, Audiodescrição, ou seja, a arte fazendo muito mais do que apenas ser, arte.
Assim como os trabalhos anteriores de Luciano que eram essenciais para manter o Teatro Grego em nossa programação teatral, esse é essencial para todos nós que sempre direta ou indiretamente estaremos ligados a educação.
Meus cumprimentos a todos os envolvidos nesse projeto, muito bem vindo e que eu recomendo aos meus amigos, colegas de teatro, mestres, alunos e público em geral, com louvor!
Mais contemporâneo impossível!!!

* A peça é uma livre adaptação do texto de Nigel Williams e discute a falência do sistema educacional em relação ao complexo universo dos alunos marginalizados das escolas públicas.

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