quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A VIAGEM


CLOUD ATLAS - Recebeu esse título em português certamente com o objetivo de simplificar a chamada para um filme nada simples e levar muita gente ao cinema, pois ali tem os irmãos Wachowski (da clássica trilogia Matrix e da simpática adaptação de Speed Racer).
O filme como eu disse não tem nada de simples. De forma aleatória (?) vai saltando no tempo narrando seis histórias que vão e voltam no tempo, desde o século 19 até um futuro pós-apocaliptico, contando com seu elenco principal que se revezam em protagonistas e coadjuvantes de acordo com cada uma delas:
Há uma overdose de Tom Hanks em cena ( eu como fã achei todas ótimas) e a maquiagem pesada (Que não achei tão boa assim, apesar de alguns resultados ótimos) "transformam" os outros atores de uma história pra outra.
Personagens se cruzam, influenciam um nos outros com suas atitudes, se reencontram em outros mundos e épocas, mas nada tão fácil de perceber, nada ali é entregue de bandeja, seja de propósito ou não.
São quase três horas e no decorrer ele tanto agrada quanto irrita, tanto comove quanto cansa. O visual agrada, a fotografia, a direção de arte, as atuações. No texto são intermináveis citações filosóficas, poéticas, existênciais, teóricas, religiosas, enquanto as ações se intercalam na tela.
O filme é cansativo, a forma como as histórias vão se intercalando, te causam um certo incômodo, mas justamente é nisso que ele cativa, provoca, faz pensar, te tira da "normalidade" de uma narrativa digamos, simples.
Enquanto muitos acham isso horrível e não gostam, a mim, no mínimo causa interesse e simpatia.
É um filme para ser apreciado com moderação, sem ir com muita sede ao pote, também sem grandes expectativas de ver um "filmaço".
Pela sua proposta, pelo bom trabalho profissional ali desenvolvido em todos os aspectos, tive uma boa impressão dele, e devo assisti-lo novamente, não por tê-lo amado e sim para poder organizar melhor minhas idéias em relação ao que eu vi.
Fiquei espantado com as pessoas que "captaram a essência" do filme de imediato e já o divulgam como uma das maravilhas da sétima arte, infelizmente minha inteligência não chegou a tanto na primeira vez.
O filme ganhou a aprovação da FEB (Federação Espírita Brasileira) que o está recomendando aos quatro cantos do mundo, inclusive sorteando ingressos.
Eu acho que se os filmes espíritas tivessem 10% da ousadia desse, seriam filmes bem melhores do que os que andam visitando nossas telas ultimamente, abordando sempre de uma forma conservadora a existência dos espíritos, as "várias moradas" e etc.
Ao fazer essa observação também me cutuco, afinal, faço peças espíritas, mas sempre tive (tenho) como objetivo procurar formas dinâmicas, ousadas, de trabalhar a mensagem, fazendo com que o resultado final esteja de acordo com a doutrina e que agrade como arte, a todos.

Tudo está conectado? Acredito que sim!



Nenhum comentário:

Postar um comentário