sábado, 13 de abril de 2013

PÚBLICO PAGANTE = 2 PESSOAS!


Todo o artista tem inúmeras histórias para contar.
Todo o artista um dia cancelou apresentações por ter "zero público" ou um nº insuficiente para cobrir o mínimo dos mínimos de custos operacionais que exige uma apresentação.
Já cancelei algumas vezes sim (felizmente a última há mais de seis anos), já apresentei para poucos, já tirei dinheiro do bolso para que os artistas/técnicos pudessem "ensaiar" as "ganhas" e tudo o que podia ser feito para que o artista esteja lá no palco executando seu trabalho.
O grande prejuízo financeiro que já levei na vida foi com uma peça infantil logo no início da carreira da Cia Artiurbana, pois eu me recuso a cancelar espetáculo infantil, ainda mais após ter presenciado um colega cancelar uma apresentação sua por causa do pouco público e da pouca arrecadação que viria dali. Vi crianças sairem chorando, os pais mesmo entendendo a situação, porém, apavorados pensando "Onde vamos levá-los se as outras peças começam também as 16hs?".
Então, quando fiz minha primeira temporada infantil avisei ao elenco que não íamos cancelar nunca, a não ser que não aparecesse ninguém. Resultado: Prejuízo financeiro, porém, crescimento do projeto que hoje atrai um bom público e crianças saindo cantando e com os olhinhos brilhando.
Na minha peça da Cia Hariboll, CAMINHOS QUE CRUZEI, AMIGOS QUE ENCONTREI, estávamos em uma temporada de quinta á domingo no Teatro Nilton Filho, no ano de 2001, quando na quinta-feira, caiu um temporal em Porto Alegre, desses que nem a gente sairia de casa para nos assistir.
Pois bem, a bilheteira nos disse: Tem duas pessoas (Tem horas que os artistas torcem que a partir de um determinado horário, se não apareceu ninguém, que não apareça mesmo!).
Olhei para a sala de espera e me deu uma pena daquelas duas senhoras, não ia mandá-las embora na chuva, disse para o elenco: Vamos fazer!
(Só não falei para eles que além de serem apenas duas, eram duas cortesias da TVE).
Em 2006 ou 2007, estávamos no TEATRO DO IPE com minha peça de clown chamada ENTRE TAPAS & BEIJOS, uma comédia que eu muito me orgulhei de ter feito, fruto da oficina de clown que tive o privilégio de ter Luiz Henrique Palese como professor. A peça nunca teve um grande público, porém naquele domingo se superou: DUAS PESSOAS.
Quando pensei em cancelar, na sala de espera ouvi as pessoas falando em idioma diferente, falei com a nossa bilheteira ela disse que era uma secretária brasileira e um empresário Indiano, que ele queria assistir teatro em Porto Alegre e ela buscou na programação um espetáculo que ele pudesse compreender, escolhendo o nosso, visto que era uma comédia muda.
Apresentamos para os dois, o indiano gargalhava, interagia e fez questão de nos cumprimentar pela peça e por ter apresentado somente para os dois naquele teatro enorme.
Hoje felizmente não sei mais o que é cancelar espetáculos ou público pequeno, mas estamos sempre com aquele friozinho na barriga, aquela pergunta: "Será que vai ter público"? Mas estou preparado, pois acima de DUAS PESSOAS, é lucro!

E você colega artista? Tem alguma história dessas? de público pequeno que queira compartilhar conosco? Ficaremos felizes em ler.
Haribol!


Um comentário:

  1. Muito bom, Pretto!!! Isso acontece mesmo, e é o único motivo do meu "frio na barriga"...

    ResponderExcluir