sábado, 6 de abril de 2013

VIDA ALHEIA - Projeto NOVAS CARAS



O Grupo Artes e Letras já tem um bom tempo de estrada. Essa caracterizada por suas montagens de clássicos da literatura brasileira e do teatro em escolas e faculdades da Capital ou do Interior.

Autores como: Machado de Assis,  Simões Lopes Neto, Augusto dos Anjos, entre outros,  são representados por espetáculos teatrais, esquetes ou saraus musicais. Fora isso, eventualmente colocam sua proposta em cena nos teatros, o que por sí só vale a conferida pois nos traz textos, situações e autores que raramente são explorados nos espetáculos em cartaz. 

Contemplados neste ano no projeto da SMC: NOVAS CARAS que há décadas tem possibilitado que novos artistas e diretores coloquem seus estudos e projetos em cartaz, o Grupo de uma forma simples e objetiva nos apresenta os deliciosos textos de Artur de Azevedo (Cuja biografia coloquei abaixo, extraída da bem-vinda Wikipédia).

Vida Alheia é um conjunto de cinco textos cômicos que abordam a vida e os costumes de um Rio de Janeiro da metade do século XIX  protagonizados por três bons jovens artistas e a participação do "veterano" Julio Lhenardi. 
São cinco histórias encenadas:
1) Um poeta boêmio embriagado pela lúdica vida artística, é cobrado pela esposa pelo fato de que não há alimento em casa e que a mesma padece de todas as estruturas mínimas para a sobrevivência.  
2)Um velho comenta com as pessoas na praça sobre a vida de alguns vizinhos e conhecidos.
3)Duas amigas conversam acerca dos hábitos do marido de uma delas e de como manter o bom casamento.
4)Uma sucessão hilária de discussões entre chefes, encarregados e subalternos.
5) Uma senhora que quer assistir espetáculos nacionais e descobre que todos os teatros estão ocupados por cias e produções estrangeiras.

O cenário é representado apenas por duas cadeiras e alguns acessórios cênicos de época. Os figurinos e adereços estão bem representados e servem bem a proposta quando querem marcar a época ou servir de motivo de risos.
A iluminação de Catarinno Grosser, devido a simplicidade da montagem, limita-se a cumprir bem a  função destinada nas cenas e entre elas, tendo a oportunidade de destacar-se ao final com a convincente simulação de um flash de máquina de fotografar antiga (Daquelas com pólvora) onde a família teatral posa no final.
Com uma direção discreta do jovem Gabriel Motta que deixa a história fluir, boa atuação do mesmo, das atrizes Ana Paula Aguiar e Kariny Schoenfeldt e de Julio Lhenardi, hilário nos personagens cômicos que lhe couberam, a peça segue um ritmo bom, resultando em uma interessante proposta.
Recomendo que assistam os projetos do NOVAS CARAS, assim como estão dando a oportunidade deles encenarem, nós temos que dar a oportunidade dos artistas terem um público, um retorno, uma crítica feroz ou um elogio rasgado, pois só assim eles e o público evoluem: Trabalhando, estudando, pesquisando, assistindo.
Algumas peças tem resultados fracos, outros médios, alguns bem interessantes como essa.
Recomendo a peça não só aos estudantes, como ao público em geral para ter esse contato com um autor, assim como muitos outros, que ganha fôlego graças ao trabalho da cia artes e letras em trazê-los para as escolas e palcos.

SINOPSE - VIDA ALHEIA - Segundo a CIA

Uma Comédia de Artur Azevedo

Espetáculo composto de cinco quadros (esquetes), breves histórias de gente comum. Flagrantes do cotidiano do Rio de Janeiro na segunda metade do século XIX que Artur Azevedo soube, como ninguém, transpor para os palcos, o que observava nas ruas e nas casas.

Quatro atores se revezam nos vários personagens que transitam pelo palco,contando suas histórias, às vezes trágicas, outras nem tanto, mas sempre numa linguagem simples, sem faltar uma forte pitada satírica, marca registrada de Artur Azevedo.

Os figurinos e adereços demonstram claramente os usos e costumes da época.

A trilha sonora é composta somente de trechos de músicas brasileiras, chorinhos,
valsinhas, etc.
Nosso objetivo é lembrar quem foi e o que representou e ainda representa, para a nossa dramaturgia, Artur Azevedo. Que tanto fez pelo teatro nacional e pelos nossos artistas e suas obras tão pouco ou nada sendo montadas, apesar de servirem como conteúdo para o ensino da língua portuguesa e literatura.


FICHA TÉCNICA:

Elenco: Ana Paula Aguiar – Gabriel Motta – Júlio Lhenardi – Kariny Schoenfeldt
Concepção e Figurinos: J.Alceu 
Iluminação e Trilha Sonora: Catarinno Grosser
Operação de Som e Luz: Marcelo Shultes
Dramaturgia: Valéria Di Pietro
Direção: Gabriel Motta 
Supervisão Geral: Julio Lhenardi
Duração: 45min
Realização:
15 anos de Entretenimento e Cultura
Informações e Agendamentos:
julio@grupoarteseletras.com.br - grupoarteseletras@hotmail.com
(51) 3395 5482 – 9203 3487 – 8178 4582 -



Recorri a Wikipédia para trazer maiores informações sobre o autor:

Biografia

Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo nasceu em 7 de julho de 1855, em São Luís - MA e faleceu em 22 de outubro de 1908, na cidade do Rio de Janeiro. Filho de David Gonçalves de Azevedo, vice-cônsul de Portugal em São Luís, e Emília Amália Pinto de Magalhães.
Em 1871 escreveu uma série de poemas satíricos sobre as pessoas de São Luís, perdendo o emprego de amanuense (copista de textos à mão).
Seguiu para o Rio de Janeiro aos 18 anos de idade (1873), onde foi tradutor de folhetins e revisor de "A Reforma", tornando-se conhecido por seus versos humorísticos. Escrevendo para o teatro, alcançou enorme sucesso com as peças "Véspera de Reis" e "A Capital Federal". Fundou a revista "Vida Moderna", onde suas crônicas eram muito populares. Colecionador de obras (pinturas, gravuras e esculturas) e crítico de arte nos jornais cariocas, constituiu um vasto acervo denominado postumamente de "Coleção Arthur Azevedo de Gravuras". Foi amigo de artistas como Victor Meirelles, Rodolfo e Henrique Bernardelli, Modesto Broccos e João Zeferino da Costa.
Artur de Azevedo, prosseguindo a obra de Martins Pena, consolidou a comédia de costumes brasileira, sendo no país o principal autor do Teatro de revista, em sua primeira fase. Sua atividade jornalística foi intensa, devendo-se a ele a publicação de uma série de revistas, especializadas, além da fundação de alguns jornais cariocas.
Era irmão mais velho do escritor Aluísio Azevedo, autor de "O Cortiço" e "O Mulato".

[editar]Bibliografia

Escreveu cerca de duzentas peças para teatro e tentou fazer surgir o teatro nacional, incentivando a encenação de obras brasileiras. Como diretor do Teatro João Caetano, no Rio, encenou quinze originais brasileiros em menos de três meses.
Escreveu ainda:
  • Sonetos (1876)
  • Contos fora de moda (1901)
  • Contos efêmeros
  • Contos possíveis (1908)
  • Rimas (1909)
Para o teatro escreveu, entre outras:
  • O Rio de Janeiro de 1877 (1878)
  • A pele do lobo (1877)
  • O Bilontra (1885)
  • A Almanjarra (1888)
  • O Dote (1888)
  • O Badejo (1898)
  • Confidências (1898)
  • O Jagunço (1898)
  • Comeu! (1901)

[editar]Lorbeerkranz.png Academia Brasileira de Letras

Foi um dos fundadores do Sodalício Brasileiro, onde ocupou a cadeira que tem por patrono Martins Pena.

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