segunda-feira, 17 de junho de 2013

FAROESTE CABOCLO ( Do cordel á pulp fiction)


Fui um dos primeiros a assistir FAROESTE CABOCLO. 
Primeira sessão. Estava eu lá, fã, fominha, ansioso!
Havia gostado do trailler e da cor "desbotada" que a fotografia havia impresso nele.
Como 99,9% dos que foram assistir, eu sabia de cor e salteado o enredo e como um fanático religioso ia apontar cada falha na narrativa que não havia na letra da música de Renato Russo.
Transformaram a poesia de literatura de cordel de Renato Russo em uma pulp fiction fria e suja.
A história trágica de João de Santo Cristo era amenizada pela poesia de Renato e a forma como ele narrava a "via crucis" de seu personagem, o que no cinema, a poesia foi do tiro, da crueldade, da poeira em uma narrativa próxima aos filmes de Tarantino.
Ver João logo no início do filme, assassinar friamente um policial quebra de cara o que se imaginava do personagem, estabelecendo de imediato o aviso: Esse é um filme baseado na música, esqueçam-na um pouco!
LITERATURA DE CORDEL: Também conhecida no Brasil como folheto, é um gênero literário popular escrito frequentemente na forma rimada, originado em relatos orais e depois impresso em folhetos. Remonta ao século XVI, quando o Renascimento popularizou a impressão de relatos orais, e mantém-se uma forma literária popular no Brasil. O nome tem origem na forma como tradicionalmente os folhetos eram expostos para venda, pendurados em cordas, cordéis ou barbantes em Portugal - ESSA É A MÚSICA!

PULP FICTIONPulp ou ainda pulp fiction ou revista pulp são nomes dados a revistas feitas com papel de baixa qualidade (a "polpa").Essas revistas geralmente eram dedicadas às histórias de fantasia e ficção científica e não raro o termo "pulp fiction" foi usado para descrever histórias de qualidade menor ou absurdas. ESSE É O FILME!

Então, com o devido registro, podemos passar a análise do filme, sem nenhum registro de fã incomodado e xiita como eu ( e tem várias coisas que me incomodaram por causa da "desobediência" a letra da música")
O filme é interessante, e com a sua opção de ser mais sujo e menos poético traz sua própria identidade e alguns momentos que é impossível não lembrar de filmes nacionais recentes como: Cidade de Deus, Tropa de Elite e outros menores. Assim como impossível não lembrar dos filmes de Tarantino, especialmente do último: DJANGO LIVRE. (Coincidência?).
O elenco dá conta do recado, tantos os GLOBAIS como os NÃO GLOBAIS.
Aliás, o termo Global se aplica aos atores e artistas famosos, geralmente acompanhado de um desdém e uma certa inveja, aliando a conquista de papeis em filmes não pelo talento e sim pela fama.
Bom para nós quando as duas coisas acontecem (fama e talento a serviço da arte, nada contra!)
Ísis é uma lindinha que faz a Maria Lúcia bem, Antônio Calloni e o falecido Marcos Paulo trazem a interpretação básica deles direto da TV de uma forma que não incomoda e traz veracidade.
O protagonista Fabrício Oliveira, nos convence e o ritmo do filme nos permite, sem muitos incômodos assistí-lo até o final, mesmo sabendo o seu clímax.

Um filme que não amei de paixão como a música que será eterna, porém, interessante de assistir!



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